Marco teórico

O papel da música como eixo condutor em políticas de inclusão social tem ocupado um espaço de destaque nos eventos que buscam, primordialmente, o resgate da dignidade e o pleno exercício da cidadania de crianças e adolescentes de qualquer nível social e cultural (Beatriz Salles: artista da UnB e coordenadora do Festival FIB (http://www.fib.unb.br/lyratatui/musicaeinclusao.htm), .

A cultura é vista como um importante lugar de formação da identidade sociocultural e a música está entre as atividades de significativo apelo para a realização de projetos sociais. Estudos específicos apontam o impacto no processo de recuperação da identidade e da auto-estima dos envolvidos nos projetos de inclusão que utilizam a música como eixo condutor. Muitos trabalhos na área têm revelado a importância da música na construção da identidade das crianças e adolescentes da periferia urbana das grandes cidades. Neste contexto, a música torna-se uma linguagem capaz de exprimir com fidedignidade a crua realidade dos cotidianos de exclusão.

Para a banda, a música é um importante elemento de formação de conhecimento musical, de identidade e construção da cidadania, onde agentes multiplicadores de cultura assumem o papel de transformadores da realidade social. Para a adoção de fórmulas que possibilitem a difusão da alfabetização musical na educação infantil por meio de eventos como o carnaval é uma excelente oportunidade de se aprender brincando.

Percebe-se a necessidade de adequar o conteúdo musical à prática necessária para lidar com os cotidianos de exclusão que o público infantil é submetido. A democratização do acesso a processos de inclusão utilizando a música como instrumento é condição já comprovada em inúmeros estudos para a diminuição da violência e aumento da auto-estima dos envolvidos. Dentro deste contexto incluímos diretamente não só os beneficiários, mas também suas famílias, no evento do carnaval de Brasília.

No Brasil, segundo Salles, vivenciamos hoje, através dos profissionais da área de música, o início de um processo de questionamento sobre a importância do aprendizado da música. Cabe àqueles que acreditam que esta transformação é possível, a busca de fórmulas eficazes de transmissão do conhecimento, bem como dos parceiros e dos meios para realizá-lo, oferecendo as nossas crianças e jovens em situação de risco uma oportunidade de mostrarem e aperfeiçoarem seu talento, independente de sua origem, pois a cultura é a representação mais genuína da cidadania exercida por mecanismos justos de inclusão social.

Além disso, ao trazer a tecnologia como ferramenta para a inclusão musical das crianças que passaram a participar da banda Jenipapo, a proposta abre um novo espaço para uma aproximação lúdica do público com a música. Aprendendo brincando, no caranaval, espaço no qual tais saberes e aprendizados talvez sejam imprescindíveis, posto que a experiência vivida pelas crianças, futuros cidadãos de Brasília, têm influência significativa e exerce grande importância na própria ação de aproximação entre a arte musical e a cultura das festas na rua.

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